Medo - quem nunca?






Quantas vezes eu já me perguntei: afinal o que eu temo?

Em muitos momentos na minha vida eu deixei de agir, eu desisti, eu recuei por causa do medo ou porque de fato a minha provável ação me traria um prejuízo?


Como reconhecer que afinal o nosso maior inimigo: é o medo. Quantas desculpas já demos para justificar o medo. Aquele sentimento que nos paralisa diante de uma situação. Algo que é maior do que nós? Será realmente? De fato existe perigo em nosso caminhar ou alimentamos os fantasmas da ilusão?


Em um momento da minha vida, havia uma situação clara diante dos meus olhos. Eu via mas não queria enxergar. Então eu empurrava todo o pó para debaixo do tapete. Eu tapava o sol com a peneira e fingia que não havia nada para enxergar.


Eu queria dizer muitas coisas nessa hora. Eu queria gritar, eu queria sair agredindo x, y, z. Mas eu nada fiz. Eu nada verbalizava sobre aquela situação. Então surgiu um Hipotiroitismo. Eu literalmente engolia em seco a minha vida e detonei esta “doença”.


Mas tanto foi o pó acumulado em baixo do tapete que um dia eu tropecei no “morrinho” formado por ele. E caí. E quando eu caí eu enxerguei. Então o que fazer de posse dos fatos que não mais ficariam escondidos.


Enfrentar um escândalo aos olhos da sociedade, aos olhos da família, aos olhos de mim mesma? Não. Eu estava com medo.


Eu me iludia com todas as desculpas que ia encontrando pela frente: não posso prejudicar meus filhos. O que meus pais vão sofrer. O que meus amigos vão falar. E assim por diante.

Por ter estudado muitos anos o esoterismo eu precisava ser “superior” a tudo isso. Eu não podia falhar, eu não podia me expor como um câncer.


Meu orgulho totalmente ferido. Eu continuava não verbalizando mas já tratava do Hipotiroidismo com a reposição do hormônio a vida seguia seu curso. Eu seguia entalada mas medicada.


Até que por fim em um lampejo de coragem e temor eu deixei que tudo fosse rompido. Eu joguei meu problema no colo do Universo e em quinze dias: “Meu mundo caiu” – como naquela canção antiga, cantada pela cantora também antiga de sucesso que já nem me lembro o nome? Dalva de Oliveira ou algo assim.


Mas curiosamente nada a minha volta ruiu, não ouve hecatombes, não ouve revoltas nem julgamentos. Meus “inimigos” não se voltaram contra mim nem riram de mim.

Só existiu a minha dor. Minha dor dilacerando cada entranha do meu ser. Eu sentia todos os meus órgãos se retesando como uma corda servindo para puxar alguém de um precipício. Eu enfrentei todos os tipos de sentimento ao mesmo tempo. A raiva, o ódio, o desespero, o amor, o desamor, a vergonha.


Então eu pude enxergar. Pela primeira vez eu pude realmente enxergar. O porquê de ter demorado tanto para mudar o rumo da minha vida quando ela já não fazia mais sentido. O que realmente me bloqueou não foi nada nem ninguém externo a mim.


Tudo se passou dentro de mim. Eu alimentei meu medo.


Eu alimentei meus fantasmas: eu temia ser julgada pelos meus pais. Tachada de “mais uma vez ter feito errado. De mais uma vez desapontá-los como sempre achei que fiz minha vida toda. Eu quase podia ouvir a voz da minha mãe me dizendo: “ta vendo; eu não te avisei?”

Eu tinha medo de me olhar no espelho e reconhecer que errei. E fazer o que com meu orgulho ferido. Eu tinha medo de encarar o fato de ter acreditado que eu era melhor que os outros então eu podia ser feliz, fazer escolhas acertadas e ter meu castelo de areia firme em terra molhada.


Quanta bobagem um ser humano é capaz de criar porque tem medo de promover as mudanças necessárias para a sua evolução. Como eu não pude logo de início ter traduzido todo meu “drama” em uma única palavra: aprendizado.


Eu ao invés de sentir vergonha. Desde o inicio eu deveria ter olhado o problema, enxergado, perguntado: Por que eu tenho de passar por isso? O que isso vai me trazer de experiência?


Quanto sofrimento eu poderia ter evitado. E logo partido para abrir mão. Mas abrir mão de que? Se na verdade não temos nada nem ninguém. Por que é tão difícil entender que nada fora de nós mesmos nos pertence? Por que insistimos em viver na ilusão do “ter”?


Hoje depois de passado alguns anos, me sinto em paz. Sei que muita água ainda vai passar em meu interior. Mas me sinto liberta. Liberta de uma história que eu tinha de passar porque afinal ela me traria um aprendizado e isso não tem nada a ver com os outros. E ninguém jamais pode julgar ninguém. Pelo simples fato de que ninguém sabe de que tipo de “história” o outro precisa passar para aprender.


Então eu não confiei em mim. E a única coisa que temos de fazer na vida é confiar definitivamente, incondicionalmente, verdadeiramente em nós mesmos.


E quando eu penso que é meu espírito que sabe o que é melhor para mim e que só ele tem as respostas para todas as minhas perguntas. Bem. Hoje, depois de ter aprendido não com os meus erros, porque na verdade nós nunca erramos. Por ter aprendido com as experiências que eu escolhi passar. O medo nunca mais. Nunca mais vou deixar o medo de “mim mesma” me impedir de ir mudando o rumo da minha vida sempre que for necessário. Nunca mais vou deixar de confiar nas escolhas do meu ser maior, porque é certo quanto dois e dois são quatro que o eu espiritual jamais irá colocar o ser material onde ele não precise estar. Isto chama-se “fé”.


Hoje vivo uma nova etapa de minha vida, mais forte, mais amadurecida em um degrau mais alto da minha escada evolutiva sabendo que não devo sofrer além do necessário. Porque alimentar o sofrimento é muito desperdício de energia e comprometimento da saúde física.


Eu não faço mais coro para o medo. Eu faço coro sim: para o aprendizado e a saúde.

Pensem nisso vocês também e escolham a vida, vivida com responsabilidade, com harmonia vivendo o que de fato cada um tem de viver.


Ely da Costa Varella


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