Cayce, Kardec, o budismo e o hinduísmo


“Os hindus e os budistas partilham com Cayce e com Kardec a crença de que a reencarnação segue continuamente até o indivíduo alcançar o estado de consciência onde todos os desejos e ânsias são perdidos (esse estado de perfeição é chamado de “nirvana”). Nesse ponto, a personalidade na Terra – que para o budista e para Kardec não é virtualmente nada além de desejo e ânsias – torna-se anulada. Desse modo, diferente da filosofia de Edgar Cayce, a visão budista-Kardec da reencarnação está baseada na absoluta inevitabilidade do sofrimento e da impossibilidade de libertar-se dele sem abolir os desejos que o conduziram a isso.

Também diferindo consideravelmente de Cayce, que enfatiza repetidas vezes a moderação e o equilíbrio, para Kardec e para os budistas, a moderação , o equilíbrio e outras meias medidas simplesmente não farão o truque. De acordo com eles, o sujeito não pode controlar os desejos sensuais através de bravas tentativas de moderação. Enquanto quaisquer ânsias persistem, geram uma tendência para o renascimento naqueles domínios entre eixtências que, se acredita, os satisfarão. Somente a obtenção do nirvana acaba com tais desejos.

O budista sério, portanto, deseja “sair do ciclo do renascimento”. Ele pode fazer progressos na direção dessa meta de diversas formas que merecem mérito e asseguram a ele um renascimento favorável. O sujeito avança também fazendo o máximo para reduzir a ganância, o ódio e a ilusão, as três raízes de todo sofrimento e de todos mal. Por exemplo, um ato de roubar pode trazer alguma retribuição conferida externamente – em uma vida ou em outra -, pode também aumentar a tendência para a desonestidade. Dessa forma, o carma e as ânsias estão indissoluvelmente ligados. Quanto mais o sujeito deseja algo, mais é provável que aja para obter resultados desfavoráveis ao carma, no mínimo renascendo uma vez mais.

Enquanto as ideias de Cayce, de Kardec e do budista sobre o carma em geral assemelham-se àquela do hinduísmo, há algumas diferenças importantes que eu não deveria encobrir. Diferente do hinduísmo, que é muito determinista, o conceito de Cayce-Kardec-budismo do carma é completamente nã0-determinista e livre da tendência hindu de pensar no futuro como uma ordem inevitável de eventos aos quais o sujeito deve se submeter.

Como Cayce e Kardec, a filosofia budista não especifica nenhum limite fixo à duração da existência nos domínios não-terrestres durante o período de “intermissão” entre vidas terrestres. O equilíbrio da boa e da má conduta nas vidas anteriores influencia igualmente a situação – se será mais ou menos apropriada – da existência intermediária e sua duração. Quando o merecimento de uma pessoa termina, ela deve iniciar uma nova vida terrestre, como a pessoa em férias que deve partir de um lugar de diversão porque gastou o que ela tinha economizado para sua viagem. Porém, diferindo substancialmente de Cayce e Kardec, para os budistas, assim como a pessoa em férias pode fazer pouco para ajudar no trabalho em seu escritório enquanto está distante, muito pouco ou nenhum progresso espiritual ocorre nos domínios intermediários. Em outras palavras, o budista difere de Kardec e de Cayce na crença de que a pessoa pode realmente avançar no desenvolvimento espiritual somente durante uma existência humana, terrestre”.

Texto extraído do livro: Astrologia da alma – Ry Redd (Edições Siciliano)

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